terça-feira, 22 de novembro de 2016

ANTHONY E OS HOSPITAIS PÚBLICOS

Assisti penalizado ao debatimento de Anthony Garotinho dentro de uma ambulância. Com uma artéria entupida, a pressão elevadíssima e um risco iminente de infarto Garotinho protestava contra uma ordem judicial que o mandava ir receber os cuidados médicos em hospital da rede pública.

Depois do choque de ver um político de carreira quase enfartando passei a sentir admiração pela percepção aguçada do ilustre político.

Ele sabia que ir para o hospital público seria uma sentença de invalidez ou até na pior das hipóteses de morte. Ele tão jovem não queria por fim a sua carreira em ramo de atividade humana que muito exige de um trabalhador, a política.

Conseguiu reverter a ordem e foi levado para um hospital da rede particular. Ora, eu não tiro a razão de Garotinho. A bem pouco tempo uma senhora que lutava contra um tipo de câncer teve sua vida ceifada porque no processo várias e várias vezes faltou os medicamentos que certamente lhe devolveriam a saúde.

A rede pública por meio do secretário veio a público se desculpar, mas o que são desculpas quando a vida se vai? Anthony não queria ser vítima de um malvado hospital público do estado onde ele já havia sido governador.

Eu no lugar dele faria drama maior. Mas no meu caso não tem jeito. Ou é hospital público ou a indigência da minha cama.


Mas o que Garotinho temia é que o tratassem do modo como ele tratou o estado de que foi governador e, depois de inválido ou morto (digo ele não o estado porque esse já está mais fedido do que morto há três dias) viessem a público as autoridades apenas para se desculpar como no caso da senhorinha com câncer que negada de cuidados faleceu e recebeu apenas os pedidos de desculpas das autoridades de saúde.

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