sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O PROCESSO CRIATIVO DA LITERATURA

Erguer um monumento que fale por nós enquanto estamos calados ou mesmo produzindo a argamassa para fazer crescer o monumento que estamos erigindo; a vela mantida acesa, a vela que foi moldada para se ter sempre uma luz acesa na casa, nas casas, para afugentar a escuridão e enquanto ela queima labutamos em produzir a parafina para a medida que se consome seu corpo seja depois engrossado para continuar queimando e alumiando o que precisa de luz, e tudo precisa de luz, tem sempre um canto escuro obscuro, carente de lume; a panela no fogo fervendo a água para uma apetitosa, ou se não apetitosa pelo menos necessária refeição e enquanto o fogo amolece o alimento e mistura os temperos forjando sabores colher o que se mais pode acrescentar á panela ao lume, para nunca faltar comida ao faminto, pois todos têm fome, ou se não fome carência de nutrientes essenciais para o corpo e mente saudáveis; pesar a ferida , limpá-la , arejá-la e enquanto se administra os cuidados essenciais ao aflito seguir ardorosamente na pesquisa de outros emplastros e remédios até que a cura final venha e ela virá, pois não há mundo sem dono, mesmo o que estamos, fora de seu projeto original e por isso cheio de torturas em suas formas terá aplanamento, nivelamento proporcionando o bem; um monumento deve se manter erguido falando por nós enquanto pelejamos, não se pode deixar espaço para o silêncio ocioso, não se pode calar; embora calado deve se ter uma voz, uma luz, uma panela preparando o necessário alimento pois todos e tudo sempre precisam de cuidados; arar a terra para o plantio e quando esta pronta, abrir a cova e lançar nela a semente  e enquanto esta morre para nascer e crescer trabalharmos noutras covas para plantar a semente do que virá a ser o de que comer dos famintos pois tem sempre quem sofra de fome ou tenha carências essenciais que lhe escurece os olhos provoca vertigens tonturas que faz perder o prumo e o rumo; não parar, não se pode parar; dar a tarefa e explicar a feitura  dela e enquanto isso laborar na oficina confeccionando outras lições, pois sempre há quem precise de refinamento, orientação, direcionamento; defender a cidade e uma vez a batalha do dia ter sido ganha, afiar arma para outras que virão pois parar é ficar suscetível ao fracasso e ao aprisionamento  ou morte; cavar o poço em busca da água viva, fria, refrescante proteger o poço encontrado do sol escaldante e cavar novos reservatórios para se ter sempre água em reserva porque sempre haverá sedentos e água é essencial, não se pode parar de procurar, armazená-la , não se pode parar; manter algo que fale por nós enquanto planejamos como melhorar o que já erigimos pois não se pode parar, parar é impensável e transgressão da lei da criação, a lei ordena tudo nesse mundo, mas há sempre os que transgridem e desarrumam a ordem, é preciso erguer um monumento que fale por nós enquanto calados planejamos tarefas para sempre melhorar o que já há; os literatos sempre foram incansáveis , os que na labuta da literatura semeavam a virtude e os que não eram incansáveis, os pregadores das boas novas não se deram folga e quando não podiam falar e antes de dormirem registraram tudo para a posteridade; a natureza, o monumento de Deus ao mundo fala dele enquanto ele escreve e reescreve suas leis nos corações que sempre tendem a se desgarrar; nunca se pode parar; preparar uma geração dando a esta escritos e orientação para erguer seus monumentos que fale o essencial quando seus entes começarem a faltar; a lavoura é grande e o trabalho deve ser incansável; ler, ler tudo o que a vista tem para ler, ler como o cão faminto que às pressas devora sua ração por medo de o outro tão faminto quanto ele roubá-lo; e escrever e pensar, sempre há no que se ocupar o pensamento e o pensamento necessita ser registrado, não se pode engavetar o pensamento, o pensamento é semente e semente foi feita para germinar e quando muito tiver sido feito ainda haverá o que se fazer como disse o Eclesiastes: não há limite para fazer-se livros e se tudo é vaidade como noutra hora disse o mesmo Eclesiastes há de se excetuar o pensar e o registrar, há papel e tinta e quando estes não mais houverem procurar os muros, as árvores, o chão e outros meios para se registrar o pensamento, não se pode parar; e se quiserem queimar os livros, o fogo se extinguirá pelo peso do que foi registrado, os assassinos desistirão da tarefa, é preciso fazer livros para apagar o fogo; e se proibirem o pensamento o muito que já foi pensado continuará a se disseminar, é preciso não parar, há sempre o que fazer; e ler, porque ler é levantar um brinde a quem produz monumentos eternos, ler é comer e beber o pensamento, ler é se preparar para produzir  e produzir é o que se espera que façamos sempre, é trabalho sem descanso sempre; o pregador além de sábio ainda ensinou ao povo conhecimento, procurou achar palavras agradáveis e escrever com retidão a verdade, as palavras do sábio são como aguilhões e como pregos bem fixados, não há limite para se fazer livros, não há limite para se pensar, erguer monumentos que fale por nós enquanto aprontamos seu crescimento é o imperativo.

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