quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A FESTA

Último dia da festa. Era o aniversário de 148 anos de minha cidade. Um bolo para o aniversariante ali posto na praça. A fala das autoridades religiosas e civis. Alguns artistas declarando versos e palavras em homenagem ao aniversariante e, por fim, a queima dos fogos. Um espetáculo pirotécnico de luz e barulho.

Eu comecei admirando o espetáculo dos fogos, mas tive minha atenção desviada para outro fato. Enquanto os fogos estouravam uma revoada de pequenos pássaros se iniciou. Voando assustados de uma carnaúba para outra os pássaros sofriam aquele momento. Ficaram assim por cerca de cinco minutos que foi o tempo que durou o show ensurdecedor para eles.

Pobres pássaros. Dizia eu comigo mesmo. Acho que na língua deles deram graças a Deus quando os fogos se aquietaram. Depois voltaram para seus poleiros com os coraçõezinhos ainda pululando na pequena caixa torácica.

No outro dia voltei a praça pra ler. Sentei no banco. Abri o livro. O banco estava sujo de coco de passarinho. Passei a mão, mas estava seco, sentei e comecei minha gostosa leitura. Lia despreocupadamente quando senti algo caindo sobre mim.

Caiu em minha cabeça. Depois na página do livro. Em seguida em minha mão e, pior, caiu na minha bermuda branca lavada a custo da minha alergia a água sanitária. Aí foi o fim da pecada. Tudo aconteceu no ritmo dos fogos que assustaram os pássaros no dia da festa.

Fiquei pensando que foi uma retaliação dos pássaros pela noite mal dormida que eles tiveram pelos estouros dos fogos que eu e os demais habitantes do município submetemos os bichinhos.

Mas considerando que pássaros são bichinhos fofos acho que eles estavam mesmo era me agradecendo por ter me sensibilizado com eles quando voavam assustados na noite da festa.


Fiquei na dúvida. Você acha o que?

2 comentários:

Biel Braga disse...

uma forma carinhosa "em agradecimento" quem sabe...

Biel Braga disse...

uma forma carinhosa "em agradecimento" quem sabe...