sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

EU E MEUS ÓCULOS AGORA SOMOS UM

Eu e os meus óculos em pouco tempo, em poucos anos passamos a ser a mesma coisa.

Gastei minha vista tentando observar bem a vida. Tentando entender o máximo que pude. Coisa normal. Tudo que é usado se desgasta. A gente só precisa fazer ajustes pra voltar a ver melhor pra entender melhor.

Ontem me aconteceu algo não esperado comigo e meus óculos.

Fui convidado a fazer um discurso de agradecimento. Havia preparado o texto pensando no que eu havia visto ser feito. E tudo o que eu vi o vi de óculos já que eu e eles somos um.

Aí quando aguardava chamarem meu nome para subir na plataforma e discursar uma das pernas dos meus óculos quebrou. Preocupação. Pedi ajuda. Um tentou. Outro chega pra ajudar. Nada funcionou. O parafuso que prende a haste é muito pequeno nem com unha de mulher foi possível fixar.

Não teve jeito. Mas não podia “dar pra trás”. Fui. Preciso dos óculos para falar. Preciso ver para falar. Sem óculos realmente não consigo falar. Isso é normal. Sou uma testemunha dos fatos. Testemunha precisa ver para poder testemunhar. Se não ela não é testemunha.

Avisei para o público que havia acabado de acontecer um sinistro com meus óculos e que se eles vissem meus óculos meio atravessado no meu rosto não me tivessem por desajustado, relaxado apenas é que sem óculos não consigo falar. O espetáculo de um óculos atravessado na cara não é muito bonito. Ajeitava para ficar melhor, mas logo ficava torto de novo. Fui até ao fim.


Ainda bem que antes de os óculos quebrarem eu tinha visto suficientemente bem para falar e tudo dei certo.

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