quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

SEM PENA NEM DÓ

Normalmente não sinto prazer na desgraça alheia. Faço esforço tremendo para não me refestelar na desgraça até mesmo daquele que se fez meu inimigo. Costume não ter inimigos.  Mas nesses dias, confesso, um mal me fez, se não sentir felicidade, pelo menos alegria desmesurada.

A criminalidade cresce assustadoramente em todo país. Os crimes são cometidos desde o mais baixo até o mais alto escalão. Ou seja, por quem comandada e por quem é comandado. Nenhum governo encara com seriedade o problema da criminalidade crescente. Tomam medidas paliativas. Basta ver que o bandido (do alto escalão e do baixo também) é muito bem armado e a polícia carrega umas arminhas que comparadas às do bandido parecem de brinquedo.

Porém, as autoridades se encastelam em suas mansões guardados por seguranças pagos com o suado dinheiro do povo, além das particulares que eles com o gordo salário e benefícios que recebem pagam e ficam "quase" a salvos, a população se recolhe em seu sentimento de medo e põe tampa de panela nas portas como alarme para ladrão.

O mal que me fez alegrar foi o roubo do carro do prefeito de uma importante capital de meu país. Ela linda, banhada pelo oceano Atlântico convida a turistas do estrangeiro e do próprio país a banhar-se em suas águas sempre mornas e iluminar-se em seu sol sempre aceso. Além da hospitalidade do seu povo.

A polícia tão ineficiente para achar os perdidos da população (ineficiente não por causa dela mesma, mas pelo descaso  com que é tratada pelas autoridades) recuperou em menos de vinte e quatro horas o precioso bem do prefeito.

Apesar do veículo ter sido achado minha alegria não diminuiu. Saber que um político sofreu pelo menos uma vez do mal que a população sofre todos os dias e que eles insistem em ignorar faz a alma mais pia desse mundo cometer uma anti-virtude de vez em quando.

Arrisco dizer que os ladrões fizeram apenas um ensaio ou eram amadores e, que, talvez voltem. Se ocupando deles, talvez deixem a população em paz.



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