segunda-feira, 31 de julho de 2017

Poesia Visual



Pedido de Socorro

Senhores gringos que leem meus escritos, quero explicar alguns detalhes deste país que é minha terra-mãe. Perdoem por chamar os senhores de gringos. Não se trata de nenhum desmerecimento. É apenas uma força de expressão. Quanto a chamar o Brasil de minha terra-mãe tenho tido cá minhas reservas. Peço, me ouçam um pouco. Logo após os senhores dizem se justifica meu desapego a esta terra onde nasci que chamo de terra-mãe.

Amigos, acho que posso chamá-los assim, pois quem tira um pouco de seu tempo para ouvir um amigo angustiado pode mesmo ser considerado amigo, em minha terra-mãe quando uma pessoa mata outra usando um carro e sob o efeito do álcool é inocentado após pagar um valor em dinheiro que, sinceramente eu não sei para onde vai; talvez para pagar o tempo perdido dos policiais que tiveram que prender o assassino para depois soltá-lo por ordem da justiça.

Eu sei que na terra dos senhores a situação é diferente porque a lei do país dos senhores é dura contra assassinos e por saberem os legisladores da terra dos senhores que se não punirem o criminoso estarão os senhores dando ocasião para que estes se espalhem e o caos seja estabelecido prejudicando a vida de muitas pessoas.

Amigos, essa atitude do Brasil é razoável? A de soltar assassinos bêbados no volante.

A cada dia os noticiários se repetem dando conta de mais e mais assassinos que usam o carro para matar e saírem ilesos. A gente até pensa que a notícia é antiga, que os noticiários por falta de pauta estão se repetindo, mas não é. São os assassinatos que se repetem dia após dia e os assassinos continuam à solta tomando seus engovs. Perdão. Os senhores não sabem o que seja Engov, não é? São remédios para curar a ressaca.

Enquanto uns curam a ressaca os que perderam seus queridos por ação de um assassino embrigado nunca terão suas feridas curadas. Pior, amigos, é que é ferida do coração.

Amigos gringos, seria possível que os senhores convocassem o Conselho de Segurança da ONU para conversar com os legisladores da minha terra-mãe?

(A)balada

A gente não deve fazer mal juízo das pessoas. É contra a lei dos homens e contra a lei de Deus igualmente. Todo cidadão é inocente até que se prove o contrário, reza a lei dos homens. A lei de Deus por sua vez diz: Não julgueis para que não sejais julgados (Mateus 7.1). Obviamente que aqui se fala do mal juízo e não do ato de julgar para chegar a um veredito justo.

Nós moramos num país tão perigoso que descumprimos inúmeras vezes tanto o mandamento dos homens como o de Deus. O medo nos força a isso. Mesmo assim não deveria ser desculpa para seguirmos transgredindo o mandamento de Deus e dos homens.

Analisem meus amigos minha situação e no final me digam se não mereço perdão por ter quebrado o mandamento divino-humano.

Ando sempre de bicicleta. A bicicleta é meu meio de transporte diário, mas também mantenho com ela um tipo de paixão inexplicável para os carristas. Isto é, aqueles cujas pernas são quatro pneus. Dobrava eu uma esquina para ter acesso a outra rua e, na esquina estavam estacionadas diversos carros com pessoas escoradas a eles, a uns duzentos metros se aproximava uma senhorinha, que, ao se aproximar dos carros e dos que estavam próximos a estes, foi pondo a mão na bolsa que carregava suspensa ao ombro e perguntando: __ querem uma bala?

Repentinamente virei a cabeça (enquanto pedalava) esperando que de dentro daquela bolsa a senhora sacasse um revólver e descarregasse em alguém em especial ou em todos que estavam ali. Ainda que estivesse guiando minha bicicleta tapei os ouvidos e esperei os papocos da arma. 

Fui surpreendido com a senhora e os demais sorrindo e desembrulhando as embalagens de algumas balas de menta do tipo Ice Kiss e sorrindo numa gostosa conversa de esquina ainda que tanto ela quanto os carros ali parados estivessem atrapalhando o trânsito.

Deus me perdoe o mal juízo que fiz, mas o medo nos leva a exageros.

Poesia Visual




Poesia Visual






O Neguinho

Temos abandonado alguns bons costumes que fazem a vida saudável. E isso em nome da modernidade. Conversar na calçada é um destes bons hábitos. E abandonamos essa prática desestressante por causa da televisão com suas novelas que agora se multiplicam sem intervalo e também pelas telas dos computadores e celulares consultando as redes em busca da vida dos outros.

É claro que a violência também tem sido um dos fatores negativos a nos tirar das calçadas. Assaltos, balas perdidas e outros sinistros, porque o crime se reinventa a cada momento. Esses fatores são típicos de um país onde falta educação, ensino religioso e o abandono do Estado a seus cidadãos é visível. Do Estado cujos representantes só diferem tantas vezes dos bandidos comuns porque vestem paletós esperamos muito e temos pouco. Concordemos também que hoje em dia a vida tem sido um tanto corrida. Trabalhamos mais para ganhar o que já ganhávamos. 

Tudo isso somado tem nos feito não sairmos de nossos alojamentos para uma conversa agradável com os vizinhos na calçada. Há outros motivos também, mas se eu ficar aqui enumerando-os a crônica não progride. E não tem situação pior para um leitor do que um cronista que divaga demais. Então vamos lá.

Eu leio muito. Ler é prazeroso, mas cansa. Ler também é uma atividade solitária. Chega mesmo uma hora em que a gente precisa sair pra vê gente. Num desses prazerosos dias de leitura, cansado, sai para a calçada e lá estava meu amigo Chico.

Chico é homem honrado. Honesto. Amigo que está sempre presente na vida dos amigos quando estes estão em dificuldades. Prestativo. Já sofreu uma penca de anos com o alcoolismo. Mas se curou com a ajuda da família, dos amigos e de sua força de vontade. Um pouco antes Chico havia perdido o casamento, mas manteve as responsabilidades para com os filhos e uma amizade relativa com a ex. Esse percalço não desqualifica Chico como um homem de bem. Chico ainda é uma pessoa bem recomendada para o trabalho de motorista em cuja função não lhe falta experiência. Faltou pouco para pilotar um avião. De resto, já guiou tudo.

Chico só tem um defeito: sua cor.

Antes que o senhor leitor me critique me taxando de racista imbecil atrasado filhodeumaputa, quero deixar claro que essa não é a minha avaliação de Chico. 

Enquanto conversávamos na calçada, Chico me falava que sua família tem posses suficientes para uma vida tranquila, sua família tem nome, são honrados e nada devem às demais. Falando isso Chico passou a mão por todo o corpo e disse: só tenho essa corzinha meio assim.

Poxa Chico,


sexta-feira, 28 de julho de 2017

A Festa do porco

Acabei de ler uma crônica de Rubem Braga sobre a morte do carneiro que virou buchada e logo me lembrei da morte do porco que a cada seis ou sete meses acontecia lá em casa. A rima não foi de propósito.
Ler é como antigamente a gente fazia, sentava na calçada e numa roda conversávamos horas a fio e uma conversa levava a outra. Leio uma história e logo minha mente me transporta a outra.
O erudito besta vai dizer que o que eu estou a fazer é um intertexto e que eu devo ter cuidado com os plágios. Vão se danar seus intrometidos!
Mas voltando ao Braga, percebam a intimidade, é que de tanto ler o Rubem já me fiz chegado.
Tá enrolando demais, você já deve estar dizendo. Calma. Eu chego lá.
Meu avô criava porcos no quintal. Ele os engordava com sobras de comida e rama de batata. Eu enchia a paciência do porco jogando tudo o que eu achasse que o porco podia comer.
Seis meses depois meu avô dava uma olhada e via se o porco estava bem.  Bem pra meu avô era se o porco estava gordo o bastante para o abate. Fazia um carinho no bicho e um elogio e marcava a viagem do bichão que em nada mais lembrava aquele que havia chegado, exceto que era um porco.
A morte do porco era uma festa pra mim. Meu avô dizia que amanhã era dia de acordar cedo. Ainda com escuro.  Não entendia isso. Será que era para o porco ainda meio sonolento não demorar a partir?
Esse questionamento estava dentro de mim, mas não o fazia em palavras. Estou fazendo agora depois de cabelos brancos.  Mas estava na minha alma de menino.
Eu dormia com a expectativa da festa. Dia seguinte acordava meio atrasado. O porco já estava morto.  Acho que essa parte da festa meu avô não fazia questão que eu visse. Mas rapar o pelo do porco, empurrar a faca para abrir o porco em bandas, arrancar fora os intestinos e o coração do porco, pendurar a carcaça num gancho e com a ajuda de um machado esquartejar mais ainda o aniversariante até ai era permitido.
Ainda o porco sendo esquartejado, o fígado e as tripas já estavam cozinhando numa panela e nós fazendo a festa ouvindo os estalos do torresmo no fogo e comendo já os prontos. Do começo ao fim o porco só proporcionava alegrias.

Essa história me lembrou outra. Mas a outra conto noutra crônica ou plagio se você preferir.

A Crônica dos 6 Dias

Antes que o título sugira a você que passei seis dias para compor essa crônica quero dizer que não. Levei apenas umas horinhas de canetada.
Mas Deus levou seis dias para criar do nada esse mundão de meu Deus. Depois que li pela enésima vez o relato da criação fiquei a pensar porque Deus levou seis dias para criar o mundo quando podia fazer tudo num piscar de olhos.
Eu acho que Deus escolheu criar o mundo em seis dias para permitir às pessoas criarem ditados populares.
Aí estão alguns desses ditados.
"A pressa é inimiga da perfeição”. "Devagar se chega ao longe". "De grão em grão a galinha enche o papo". "Quem corre muito cansa mais rápido". "Seis dias de feira e depois as férias”. "Cada um tem seu jeito de fazer as coisas".

Eu ainda arrisco mais uma resposta, claro, com a devida vênia do Senhor Criador, Deus resolveu fazer as coisas do jeito que fez pra botar nas mentes brilhantes de alguns céticos um monte de minhocas.

Um Conto de Babel

Era uma vez um tempo muito distante quando toda a humanidade tinha uma só língua e gostava de construir castelos de areia o que desagradava muito o Chefe das construções sólidas e o deixava muito preocupado.  O povo deste tempo tinha muito medo de chuva que inundasse a terra deles e por isso seguia construindo seus enormes castelos de areia. Seus castelos eram tão altos que tocavam as nuvens e eles não se importavam que indo assim tão alto o oxigênio acabaria e todos morreriam. Um dia o Mestre das construções sólidas veio visitar o povo porque estava muito preocupado com eles e viu que estavam construindo um novo castelo de areia mais alto do que os outros, o Mestre das construções sólidas viu que seria um desastre iminente para todos e fez com que eles que tinham uma só língua falassem diversas outras entre si. Assim a construção do imenso castelo parou e o povo foi posto a salvo. Portanto, não construamos castelo de areia, quando ele desmoronar os danos serão arrasadores.

Vamos Liberar

É proibido proibir. Não sei se foi Caetano Veloso e a turma dos Novos baianos quem disse ou se foi Caetano Veloso e a turma Tropicália. A minha ignorância pode facilmente ser resolvida com uma consulta àquele que se tornou pra nós modernos a maior e melhor ferramenta de aprendizagem. O Sr. Google. Filho da mãe internet.
Seja por quem tenha sido dita essa frase, ela foi pronunciada nos duros tempos da Ditadura Militar brasileira. Não é o caso de dizer que tudo na ditadura tenha sido ruim. O excesso de regras e a eterna vigilância a tudo tornou o sistema insuportável. Até nem se pode dizer que a corrupção era marca registrada da ditadura. Todos os governos brasileiros sempre foram corruptos. A ditadura não fugiu à regra.
Mas deixemos de falar de ladroagem e voltemos para a questão da frase do início.
Abusando do direito da liberdade que a ditadura nos tolheu, pessoas cunharam outra frase marcante, ou apenas uma versão contemporânea da primeira: vamos Liberar.
As mulheres foram as primeiras a responder ao grito. Em praça pública tiraram seus sutiãs e os queimaram. Fizeram isso, disseram elas, por se sentirem aprisionadas, não reconhecidas, marginalizadas, inferiorizadas, usadas, enganadas, agredidas pelos homens.
Compreendendo que só isso não bastaria tiraram agora a blusa, o short, a calcinha e ainda em praça pública mostraram suas partes íntimas não depiladas para gritar pela liberação.
Outros gritos de vamos liberar se seguiram ao das mulheres peladas.
Dessa vez aqueles que não queriam sofrer nenhum dano material ou sofrer perda social gritaram por liberdade para adulterarem. O grito destes foi ouvido e o adultério deixou de ser crime. Agora nenhum adúltero podia ser penalizado. Assim muitos passaram a exibir seus haréns permitidos pela lei.
A brincadeira foi se avolumando e gritos mais perigosos foram dados.

Agora querem a liberação das drogas para uso recreativo. Uma recreação antes da morte.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

SENHORES LEITORES

Caros amigos EM BREVE NOVAS POSTAGENS.

Obrigado pela pelas leituras.

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