segunda-feira, 31 de julho de 2017

(A)balada

A gente não deve fazer mal juízo das pessoas. É contra a lei dos homens e contra a lei de Deus igualmente. Todo cidadão é inocente até que se prove o contrário, reza a lei dos homens. A lei de Deus por sua vez diz: Não julgueis para que não sejais julgados (Mateus 7.1). Obviamente que aqui se fala do mal juízo e não do ato de julgar para chegar a um veredito justo.

Nós moramos num país tão perigoso que descumprimos inúmeras vezes tanto o mandamento dos homens como o de Deus. O medo nos força a isso. Mesmo assim não deveria ser desculpa para seguirmos transgredindo o mandamento de Deus e dos homens.

Analisem meus amigos minha situação e no final me digam se não mereço perdão por ter quebrado o mandamento divino-humano.

Ando sempre de bicicleta. A bicicleta é meu meio de transporte diário, mas também mantenho com ela um tipo de paixão inexplicável para os carristas. Isto é, aqueles cujas pernas são quatro pneus. Dobrava eu uma esquina para ter acesso a outra rua e, na esquina estavam estacionadas diversos carros com pessoas escoradas a eles, a uns duzentos metros se aproximava uma senhorinha, que, ao se aproximar dos carros e dos que estavam próximos a estes, foi pondo a mão na bolsa que carregava suspensa ao ombro e perguntando: __ querem uma bala?

Repentinamente virei a cabeça (enquanto pedalava) esperando que de dentro daquela bolsa a senhora sacasse um revólver e descarregasse em alguém em especial ou em todos que estavam ali. Ainda que estivesse guiando minha bicicleta tapei os ouvidos e esperei os papocos da arma. 

Fui surpreendido com a senhora e os demais sorrindo e desembrulhando as embalagens de algumas balas de menta do tipo Ice Kiss e sorrindo numa gostosa conversa de esquina ainda que tanto ela quanto os carros ali parados estivessem atrapalhando o trânsito.

Deus me perdoe o mal juízo que fiz, mas o medo nos leva a exageros.

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