segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A Matemática

Sempre que tenho notícias da morte de uma pessoa, seja ela pública ou anônima, faço as contas para saber com quantos anos aquela pessoas morreu ou por quantos anos viveu, embora calcular o que se considera por vida seja algo extremamente complicado.

Estava lendo uma antologia das crônicas de Rubem Braga quando vi na contracapa a informação de que Braga brilhou para o mundo em 1913 e que partiu desse deixando-o um pouco mais triste em 1990. Digo que deixou um pouco mais triste porque suas obras ficaram para proporcionar alegria na ausência de seu criador. O melhor seria que Braga tivesse ficado para semente, pelo menos o Braga cronista.

Para desopilar do prazer da leitura, porque o prazer também cansa, fui vê televisão. Num programa humorístico soube que D. Pedro morreu aos 35 anos. Refiro-me ao primeiro. Já mais sorte teve o II. Mas se a novela da Rede Globo e a história estiverem certos, que o I era um mulherengo de carteirinha, as mulheres devem ter minado suas forças.

Pelo que me lembro das aulas de história na escola, os Pedro se não fizeram muito bem ao Brasil, pelo menos, mal não fizeram. Nesse caso lamento a partida tão precoce do Pedro I como lamento a partida do Braga.


Entretanto, quero fazer uma confissão. Quando se trata de seres desprezíveis, também faço as contas de quanto tempo aqueles viveram. Mas o faço não para lastimar a perda (que nesse caso não é perda). Até acho que você pode até discordar de mim, mas sente o mesmo alívio que eu. Somos iguais de alguma forma.

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