terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não é voz do além

A gente que se mete a escrever crônicas vive ouvindo vozes. O espiritualista diria que são os guias falando com a pessoa. O evangélico daria outra explicação. É Deus falando, ou um anjo, ou o Diabo. Nada disso amigos. São apenas as vozes das ideias que nascem do que vemos no dia a dia. Mas a gradeço a Deus por ter boas ideias e boa visão. Não se trata de nenhuma voz do além.

Permita-me compartilhar algo interessante que me levou a escrever essa crônica.

Hoje sai para digitar minhas crônicas como faço diariamente, crônicas que, aliás, escrevi no fim de semana (fim se semana de quem escreve é viver escrevendo mesmo no descanso). Estou sem computador em casa, então fui me valer dos telecentros de minha cidade. Trata-se de um espaço reservado pela prefeitura para acesso a internet para que o aluno (ou a pessoa que escreve) use os computadores.

O serviço não é de graça. Eu pago por ele através dos pesados impostos que descontam de meu salário e das compras que faço e na conta de água e luz e do ar que respiro. O governo toma da gente mais dinheiro do que o que dá. Ficaria satisfeito se o governo cobrasse impostos, mas devolvesse em bons serviços.

Viram só minha gente, como cronista é? Comecei falando que fui digitar umas crônicas minhas e acabei dizendo umas verdades sobre o governo.  Não quero encher sua paciência. Vamos direto para o assunto!

Nesse dia escrevi uma crônica que teve como mote a seguinte frase: o povo brasileiro é considerado um povo sorridente porque seu país é uma comédia e, quero dizer que  essa frase veio de uma voz que ouvi. Enquanto escrevia uma outra voz falou comigo e me mandou escrever sobre o arquivamento do processo que provava que o presidente da república era criminoso, mas uma galera entorno dele jurava que ele era inocente.

A comédia da decisão de arquivar o processo contra os crimes do presidente foi de tal monta que o povo disse assim: é melhor rir para não chorar.

Saí do telecentro em que eu digitava minhas crônicas e fui ao supermercado. Comprei umas bananas, umas cinco laranjas e fui para a fila pagar levando um saco de dinheiro para pagar um pouquinho de vitamina C e cálcio. Atrás de mim na fila estava uma mulher tão aperreada  quanto eu porque por estar na fila, e afirmo, fila é coisa do demo. Por trás de mim gritou o nome de uma amiga que estava no caixa pagando suas compras.

Luana! E falou algo baixinho no ouvido da Luana. A Luana sem falar com ninguém pôs a amiga na frente de todo mundo tomando meu direito de ser atendido primeiro já que eu estava na frente dela. 

Eu fiquei observando a postura das Damas e pensando comigo mesmo: nesse país é melhor rir pra não chorar. Aí entendi porque o brasileiro é considerado um povo risonho e descontraído.

Saindo do caixa uma voz me mandou falar sobre as bananas caras e podres que o supermercado estava vendendo e não baixava o preço mesmo assim.


Mas essa será uma próxima crônica. Por agora acho que você está me achando um lunático.

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